Por que o novo filme sobre o genocídio de cristãos armênios irrita tanto à Turquia

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Estrelado por Christian Bale, a superprodução fala do massacre promovido pelo Império Otomano entre 1915 e 1923, e negado pelos turcos

Na última quinta-feira (11/05) estreia no Brasil o filme A promessa, escrito e dirigido por Terry George, de Hotel Ruanda, e estrelado por Christian Bale. O jornal The Washington Post notou que, antes mesmo da estreia do filme nos Estados Unidos, a produção tinha recebido mais de 120 mil avaliações do público no IMDb, site conhecido por indexar filmes de todo o mundo. Curiosamente, 62 mil – mais da metade – das avaliações eram de apenas uma estrela, a menor nota possível. É claro que a pontuação não tinha nada a ver com a qualidade do filme: tratava-se de um grupo de trolls reunidos em um fórum online turco.

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Para entender o caso, é preciso falar de um episódio histórico conhecido como “o genocídio armênio” – cenário no qual se desenrola o filme. Entre 1915 e 1923, o Império Otomano, que estava em seus últimos dias e cuja a religião oficial era o islamismo, exterminou cerca de 1,5 milhão de pessoas de etnia armênia, cuja grande maioria era formada por cristãos.

Atualmente, 29 países reconhecem oficialmente que o acontecimento se tratou de um genocídio – a ação intencional de exterminar um povo –, inclusive o Brasil, a Alemanha, a Itália e o Vaticano. No Chipre, na Grécia, na França, na Suíça e em alguns outros países, chega a ser crime negar que a tragédia se tratou de um genocídio.

No entanto, na Turquia – a sucessora do Império Otomano – é crime afirmar que houve um genocídio do povo armênio. O governo turco alega que o número de mortes é bem menor do que o estipulado e que não houve genocídio algum, mas apenas vítimas casuais de uma guerra civil.

Os Estados Unidos, para manterem boas relações com a Turquia, se refere às mortes como “atrocidades”, mas não usa a palavra genocídio. Barack Obama havia prometido, durante a sua campanha em 2008, que faria o país reconhecer o genocídio armênio, dizendo que não se tratava de “uma alegação, uma opinião pessoal ou um ponto de vista, mas de um fato largamente documentado apoiado por um montante esmagador de evidências histórias”. Eleito presidente, não cumpriu a promessa.

O fato é que a inevitável controvérsia de A promessa chegou ao tal fórum de discussões turco e os seus usuários começaram uma campanha para avaliar o filme com apenas uma estrela no IMDb. Um usuário escreveu no fórum: “Galera, Hollywood está filmando uma superprodução sobre o assim chamado genocídio armênio. O trailer já foi visto 700 mil vezes. Precisamos fazer algo urgentemente”.

Alguns dos usuários deixaram pequenos comentários. “O filme é baseado em uma mentira, então você já sabe o que esperar”, diz um deles. Outro diz que as avaliações positivas foram feitas “por armênios que querem empurrar sua agenda política para espectadores desavisados”.

Nos Estados Unidos, o filme estreou perto da data em que se faz memória do genocídio, 24 de abril. Nessa data, em 1915, cerca de 600 intelectuais armênios foram presos e exterminados e se deu início à deportação e privação de bens da população armênia que vivia na Anatólia, como é conhecida a região geográfica onde hoje é a Turquia.

Com informações Sempre Família
Imagem: reprodução

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