Agenor Duque: o “apóstolo” que “apaga memórias” e anda de carro importado

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O cenário do evangelicalismo brasileiro, infelizmente, não é tão animador como muitos pensam. Apesar do crescimento notório do número de evangélicos no país (estima-se que mais de 50 milhões de brasileiros professem a fé evangélica), são muitas as bizarrices que tomam conta de algumas ditas igrejas evangélicas no Brasil. Um exemplo recente dessa triste tendência é Agenor Duque, da Igreja Plenitude do Trono de Deus. Agenor se autoproclama apóstolo e arroga para si (e sua igreja) a realização de milagres, inclusive o “apagamento” de memórias. Por outro lado, Duque explora os seus fiéis, pedindo pela doação (completa) até do décimo-terceiro salário de seus membros. Graças às “ofertas”, já anda de Porsche e voa de jatinho.

Os mais desavisados podem pensar que Agenor Duque apenas copia uma fórmula já seguida por outros líderes neopentecostais mais conhecidos, a exemplo de Edir Macedo e Valdemiro Santiago. E em parte, isso é verdade – todos apelam para o emocionalismo em seus cultos, sempre com manifestações de “milagres”, como curas de dores nas costas e expulsão de demônios, além de muitos testemunhos e muita distorção da Bíblia, especialmente quando o assunto é saúde e prosperidade financeira.

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Mas Agenor vai mais além. Sabendo do que o assemelha com outros “pastores” no meio neopentecostal, o líder da Igreja Plenitude do Trono de Deus investe ainda mais em sua imagem e nos “milagres” oferecidos. Além das curas “tradicionais”, Duque promete apagar – isso mesmo, apagar – as memórias daqueles que desejem esquecer sua vida de pecado.

Foi o que relatou a revista Época, em reportagem feita na igreja do “apóstolo”. Na ocasião, um homossexual foi chamado à frente, e falava do seu desejo em deixar sua vida de pecado. Depois de algumas frases de efeito e muito teatrismo de Agenor, o jovem passou a afirmar que nunca havia sido homossexual, e que não se lembrava de ter tido relacionamentos com outros homens – como se sua memória tivesse sido apagada.

Mas nem tudo são fatos “sobrenaturais”. Os cultos da igreja sempre convergem para o pedido de “ofertas” – que vão muito além dos 10% requeridos na Palavra. Durante os apelos, os líderes da igreja – que incluem a esposa de Duque, a “apóstola” Ingrid Duque – pedem que os membros, literalmente, raspem a carteira e entreguem tudo o que têm à igreja, em um “ato de fé”. Graças à espoliação feita, Agenor Duque vive uma vida de ostentação (apesar de vestir um pano de saco no púlpito, em sinal de “humildade”). Além de roupas e joias caras, o “apóstolo” anda de jatinho e dirige um luxuoso Porsche.

O crescimento da Igreja Plenitude do Trono de Deus é visível. A igreja, fundada em 2006, já tem pelo menos 20 templos nos estados de São Paulo, Amazonas, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal. “No concorrido mercado das igrejas neopentecostais, Duque é o pastor emergente do momento”, afirma a Época.

No entanto, apesar do “sucesso” humano, Agenor Duque não é um líder bíblico. Em 1 Timóteo 3, o (verdadeiro) apóstolo Paulo descreve as características do pastor, que deve ser, entre outras coisas, não avarento, ou seja, não apegado aos bens materiais. Exigir que os membros doem tudo o que têm, bem como prometer milagres fantasiosos, não apenas é aproveitar-se da boa vontade dos incautos, como também é blasfemar do nome de Deus, que não toma o inocente por culpado e, no último dia, julgará a cada um conforme as suas obras.

Por Mariana Gouveia

Imagem Wallison Darisvan

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