A vida é uma neblina

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O cenário estava todo montado com as cores da fé, da alegria e da esperança. Um time modesto de uma pequena cidade do interior de Santa Catarina estava encantando o Brasil dentro e forma de campo. No palco do jogo, mais do que um time de futebol em franco processo de ascensão, o que predominava era o sentimento de amizade real, lealdade recíproca e inquebrantável união em torno de objetivos comuns.

Noutras palavras, mais do que uma equipe futebolística, havia uma família formada por pessoas que se amavam e sabiam o que era a graça da união. Fora de campo, a ênfase recaía sobre uma administração eficiente, que pagava as contas rigorosamente em dia e cumpria os compromissos assumidos, tornando-se um modelo para os demais.

Rumo à Colômbia, a Chapecoense sonhava com a conquista do seu primeiro título internacional, com o qual estaria escrevendo a página mais bonita da sua história, tecida com os fios de apenas quarenta e três anos de existência. Minutos antes, contudo, de pousar no solo onde a primeira partida da final contra o time colombiano seria realizada, a morte, a Indesejada das gentes no dizer bandeiriano, transformou o sonho em pesadelo; o júbilo em tristeza indescritível; a algazarra celebratória em silêncio pesado e dolorido.

Vinte e dois jogadores mortos; inúmeros jornalistas mortos; dirigentes de clubes mortos. Setenta e uma pessoas mortas num átimo de tempo; num ínfimo piscar de olhos; num despretensioso e imperceptível estalar de dedos. Diante de tragédia tão esmagadora, ficamos com a sensação de que o silêncio é a melhor forma de nos comunicarmos com o mistério da vida e da morte, gêmeas siamesas e inseparáveis, sempre. No entanto, falamos, porque a morte não detém a palavra última da história. Um corpo frio e agasalhado pelas flores do adeus não é o retrato que melhor emblematiza a sublime criação de Deus.

A Escritura Sagrada, pela inspirada palavra de Tiago, sentencia que a “nossa vida é uma neblina, que sobe, e logo se desvanece”. Assim, ainda perplexos com o dramático acontecimento, somos levados a meditar na fugacidade da vida e na imperiosa realidade da eternidade. Diante da surpresa, do susto, da dor, do sofrimento, da lágrima da despedida e da saudade sem cura, vem o consolo celestial. “Jesus Cristo é a ressurreição e a vida; quem nele crê, ainda que esteja morto, viverá”. Pensemos nisso.

Por José Mario da Silva
Paraíba Online

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